9.0
Review

Review – LEGO Batman: O Legado do Cavaleiro das Trevas

Agradecemos à Warner Bros. pela key enviada para nós! O apoio de vocês tornou esta review possível.

É difícil falar sobre personagens icônicos sem citar o Batman. Além de o personagem possuir tantas camadas profundas que já foram exploradas em diversos projetos diferentes — seja nos quadrinhos, filmes, animações ou até mesmo nos games —, seu universo também é tão profundo e marcante quanto ele próprio. Criado em 1939, o Batman continua tão relevante hoje quanto era na época de sua criação, conquistando públicos de diferentes gerações e permanecendo como um dos maiores ícones da cultura pop. Nessa trajetória, a LEGO foi uma das responsáveis por apresentar uma versão mais cômica e nonsense desse universo que normalmente é tão intenso e sombrio.

A LEGO e a DC já trabalharam juntas em diversas animações, mas foi nos jogos que essa parceria realmente brilhou. O primeiro LEGO Batman, lançado em 2008, foi um sucesso estrondoso. Além de ajudar a popularizar ainda mais o personagem no mundo dos games, ele também apresentou uma nova forma de contar histórias envolvendo o Cavaleiro das Trevas. As piadas sem sentido, o humor fora da caixa e a liberdade de jogar com centenas de personagens diferentes fizeram com que a Traveller’s Tales se tornasse um dos estúdios mais consagrados nesse nicho de jogos casuais. É claro que o Batman não foi o único responsável por esse sucesso, mas certamente muita gente conheceu os jogos da LEGO graças a LEGO Batman.

Um ano depois do lançamento do primeiro LEGO Batman, a série Arkham chegou ao mercado com uma proposta completamente diferente, trazendo um universo próprio e uma jogabilidade que fazia você — perdoe o clichê — se sentir o Batman. Dezesseis anos depois, após vários filmes lançados, a série Arkham concluída e muitos projetos interessantes — e alguns bastante bizarros — envolvendo o Homem-Morcego, chega aquela que talvez seja a maior homenagem ao personagem já feita.

A Traveller’s Tales pegou um liquidificador imaginário, colocou todos os filmes do Batman já lançados, a jogabilidade e a exploração da série Arkham, algumas pecinhas de LEGO e uma boa dose de humor sem sentido. Dessa mistura surgiu LEGO Batman: O Legado do Cavaleiro das Trevas, o mais novo jogo da série, que homenageia praticamente tudo o que existe do personagem nos cinemas e nos videogames. Eu sou Eddão e hoje vamos conversar um pouco sobre como a Traveller’s Tales entregou um dos jogos mais divertidos do Batman.

Início — Uma mistureba organizada

Antes de falar sobre o jogo em si, é necessário explicar uma coisa: embora ele seja baseado em grande parte dos projetos para TV e cinema do Batman, ele não funciona como LEGO Star Wars: A Saga Skywalker, em que você escolhe um filme específico e vive toda a experiência daquela obra. Aqui, a desenvolvedora fez um excelente trabalho ao criar uma história “original”, na qual a grande maioria dos acontecimentos é baseada ou inspirada nas produções live-action do personagem, sejam filmes ou séries.

Inicialmente, eu estranhei a proposta, pois logo no começo o jogo mistura o primeiro filme do Batman dirigido por Tim Burton, Batman Begins e The Batman (2022) para apresentar a origem de Bruce Wayne, seu treinamento e sua transformação no Batman. Particularmente, achei essa ideia muito interessante, pois faz com que tudo pareça canônico dentro daquele universo. Quem assistiu ao filme LEGO Batman provavelmente já conhece esse conceito.

As homenagens também não se limitam apenas aos acontecimentos da história. Existem referências espalhadas por Gotham City, minigames, skins alternativas para o Batman que homenageiam não apenas os filmes, mas também animações e quadrinhos clássicos e modernos. O mesmo vale para outros personagens jogáveis, além dos diversos segredos e piadas escondidos pela cidade. Todas essas referências fazem do jogo um verdadeiro presente para os fãs do personagem. Algumas piadas, inclusive, reinterpretam certos acontecimentos clássicos de suas histórias originais. Não vou dar spoilers porque elas são tão divertidas que valem a descoberta por conta própria.

Jogabilidade — O retorno da fórmula Arkham!

Uma das maiores surpresas de LEGO Batman: O Legado do Cavaleiro das Trevas é sua jogabilidade. Antes de entrarmos nesse assunto, vale destacar uma escolha muito inteligente relacionada aos personagens jogáveis.

Normalmente, nos jogos anteriores da LEGO, você possui uma quantidade enorme de personagens para escolher. Em LEGO Star Wars: A Saga Skywalker, por exemplo, existem mais de 300 personagens jogáveis. Porém, a grande maioria deles compartilha habilidades muito parecidas, o que acaba gerando a sensação de que você está jogando com o mesmo personagem usando apenas skins diferentes.

Esse não é o caso aqui. Em LEGO Batman, você possui apenas sete personagens jogáveis ao longo da campanha. Porém, desta vez, a Traveller’s Tales apostou na qualidade em vez da quantidade. Cada personagem possui habilidades e equipamentos próprios que ajudam Batman durante a jornada, aumentando significativamente a variedade da jogabilidade e tornando o multiplayer ainda mais divertido.

Batgirl, por exemplo, utiliza batarangues equipados com tecnologia de hacking e conta com um drone versátil que pode servir tanto como ponto de apoio para o gancho quanto como ferramenta de combate, sendo capaz de eletrocutar inimigos ou disparar projéteis. Já a Mulher-Gato faz uso de seu tradicional chicote para atordoar adversários e ainda possui a habilidade de invocar gatos para ajudá-la durante a aventura. Toda essa variedade torna a experiência muito mais dinâmica e divertida, especialmente quando jogada em cooperação.

Falando da jogabilidade em si, a Traveller’s Tales convidou a Rocksteady — o estúdio responsável pela série Arkham — para colaborar na parte de combate, movimentação e outras mecânicas. O resultado é uma versão simplificada das mecânicas da série Arkham, com foco no combate corpo a corpo e no stealth.

Tenho que admitir: é muito legal voltar a esse estilo de combate depois de tantos anos. Caso você nunca tenha jogado a série Arkham, o sistema é simples e eficiente. Em vez de focar em combos extremamente complexos, o jogo privilegia golpes diretos e fluidos, que permitem enfrentar grandes grupos de inimigos. Em LEGO Batman, o combate é mais simples que nos jogos da Rocksteady, mas mantém o mesmo ritmo frenético.

Esse é facilmente um dos pontos mais fortes do jogo. Embora claramente inspirado em Arkham, ele possui identidade própria. As finalizações são criativas e engraçadas, o combate continua dinâmico e extremamente divertido. Confesso que, nos jogos Arkham, meu foco sempre foi mais o stealth porque… bem, estamos falando do Batman. Mas aqui, em LEGO Batman, eu me pegava propositalmente sendo visto pelos inimigos só para distribuir mais alguns socos nos bandidos.

E já que estamos falando de ser visto, o sistema de stealth também merece elogios. Por se tratar de uma experiência mais acessível, os inimigos não percebem sua presença com tanta facilidade. Isso torna o stealth menos punitivo, mas ainda bastante divertido. É possível permanecer em pontos elevados para analisar o ambiente e identificar quantos inimigos estão na área. Em locais mais difíceis de atravessar furtivamente, você pode usar batarangues ou as armas de longo alcance dos outros personagens para atrair inimigos para áreas específicas, criando oportunidades perfeitas para eliminá-los pelas costas.

Quando jogado sozinho, o jogo utiliza seu companheiro de forma inteligente para ajudar durante as seções furtivas. Já no multiplayer, é possível coordenar estratégias com seus amigos para limpar áreas inteiras de maneira eficiente.

As influências da série Arkham não param por aí. Você pode planar pelos céus de Gotham City ou utilizar o Batmóvel para encontrar segredos, destruir veículos inimigos e atravessar a cidade. O Batmóvel, inclusive, conta com diversas skins alternativas. Existem versões clássicas dos filmes e também modelos completamente malucos, como o Batmóvel Monstro. Dirigir por Gotham é tão divertido quanto em Arkham Knight.

A História — Como juntar tanta história em uma só?

Como mencionei anteriormente, LEGO Batman: O Legado do Cavaleiro das Trevas reúne elementos de praticamente todos os filmes e séries live-action do Batman, além de incorporar referências da série Arkham. O resultado é uma grande mistura em que tudo parece fazer parte da mesma linha do tempo.

Ao longo dos capítulos, você transita por eventos inspirados tanto em produções clássicas quanto em obras mais recentes. Talvez essa seja a parte mais criativa e engraçada do jogo, justamente porque permite ver acontecimentos de diferentes filmes convergindo de maneiras inesperadas.

Desde o início, o jogo utiliza diversos elementos retirados de diferentes adaptações do Batman, seja através de acontecimentos específicos, referências ou diálogos que os fãs vão reconhecer imediatamente. O mais interessante é que, mesmo com tantas inspirações, ele consegue contar uma história própria sem parecer uma simples colagem de cenas famosas dos filmes.

Bruce Wayne embarca em uma jornada que o coloca no centro de uma rede de crimes, conspirações e investigações. À medida que a aventura avança, diversos personagens conhecidos começam a aparecer. Um detalhe interessante é que os visuais dos personagens foram inspirados em versões específicas vistas em diferentes projetos do Batman.

Jim Gordon, por exemplo, utiliza o visual de The Batman (2022), interpretado por Jeffrey Wright. Já a Mulher-Gato é baseada na versão de Batman: O Retorno (1992), eternizada por Michelle Pfeiffer. Pessoalmente, achei essa escolha extremamente acertada.

E o melhor: não é apenas o Batman que possui skins alternativas. Seus aliados também contam com diversas opções inspiradas em filmes, séries, jogos e quadrinhos.

Falando novamente da narrativa, o jogo está muito mais engraçado do que seus antecessores. Aqui, a equipe brinca constantemente com os elementos clássicos dos filmes do Batman, transformando acontecimentos originalmente sombrios em situações absurdamente engraçadas. Não vou entrar em detalhes para evitar spoilers, mas saiba que acompanhar essa história é uma experiência extremamente divertida.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

LEGO Batman: O Legado do Cavaleiro das Trevas é um excelente jogo que reúne tudo o que existe de melhor no universo do personagem. A decisão de trazer a Rocksteady para colaborar na jogabilidade foi um dos maiores acertos do projeto e ajuda a transformar a experiência em algo familiar para os fãs da série Arkham, mas sem deixar de lado a identidade própria dos jogos da LEGO.

O jogo é divertido, extremamente engraçado e oferece uma enorme quantidade de conteúdo para explorar após o término da campanha principal. A escolha da Traveller’s Tales de priorizar qualidade em vez de quantidade também foi acertadíssima, garantindo que cada personagem e mecânica tenha relevância dentro da experiência.

O fato de a campanha poder ser jogada inteiramente em cooperação é outro grande acerto, permitindo que você e um amigo vivenciem toda a aventura juntos do início ao fim. Eu apenas gostaria que existisse um modo online para facilitar ainda mais essa experiência.

Além disso, a dificuldade é bem equilibrada e pode ser ajustada facilmente, incluindo modos mais desafiadores para quem já está acostumado com a série Arkham e busca algo mais exigente.

Se você é fã do Batman, este é um jogo obrigatório. Trata-se de um dos projetos mais ambiciosos da Traveller’s Tales até hoje e, muito provavelmente, servirá como um novo ponto de partida para futuros projetos do estúdio.

LEGO Batman: O Legado do Cavaleiro das Trevas está disponível para PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC. Uma versão para Nintendo Switch 2 será lançada em setembro deste ano.

9,0

LEGO Batman: Legacy of the Dark Knight

Muito divertido, bonito e engraçado.

Plataformas: Xbox Series S|X, PlayStation 5, PC e Nintendo Switch 2

Publisher: Warner Bros. Games

Desenvolvedora: Traveller’s Tales (TT Games)

Lançamento: 22/05/2026

Tempo de review: 20 horas

🇧🇷 Legenda:

Sim

🇧🇷 Dublagem:

Sim

Prós

Contras

author
Gamer desde que me conheço por gente, um amante de jogos indies, um eterno jogador de Guitar Hero/Rock Band, jogador e mestre de RPG de primeira viagem e designer gráfico.

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